Entenda como o laser fracionado atua no tratamento de cicatrizes hipertróficas e se aplicação de corticoides pós-laser ajudam a potencializar seus resultados!
Não perca a dica do Dr. Szerman ao final do artigo!
As cicatrizes hipertróficas são uma resposta anormal à cicatrização, caracterizadas por excesso de colágeno e espessamento da pele. Mais comuns em pessoas com pele mais escura, essas lesões causam não apenas desconforto físico, como coceira e dor, mas também impacto emocional, afetando a autoestima e qualidade de vida do paciente. Entre os diversos tratamentos disponíveis – como silicone, crioterapia, cirurgia e injeções de corticoides – o laser fracionado têm se destacado por sua eficácia e baixo risco de efeitos colaterais.
O estudo “Hypertrophic Scar Outcomes in Fractional Laser Monotherapy Versus Fractional Laser-Assisted Topical Corticosteroid Delivery” (Acta Derm Venereol, 2021) investigou se aplicar corticoide tópico imediatamente após o laser fracionado poderia potencializar os resultados do tratamento de cicatrizes hipertróficas.
O estudo: metodologia e resultados do Laser Fracionado no tratamento de cicatrizes hipertróficas

A pesquisa foi conduzida com 19 mulheres com cicatrizes abdominais resultantes de cesáreas ou apendicectomias.
Cada cicatriz foi dividida ao meio: uma parte recebeu laser fracionado associado ao corticoide tópico (clobetasol 0,05%) e a outra, apenas laser fracionado com vaselina. As participantes passaram por quatro sessões com intervalos de duas semanas e foram avaliadas por até seis meses.
O resultado? Ambas as abordagens melhoraram significativamente a espessura e aparência das cicatrizes ao longo do tempo.
No entanto, a diferença entre os dois métodos não foi significativa a longo prazo. Apenas após três meses, houve uma leve vantagem para o grupo que recebeu o corticoide, mas essa melhora não se manteve nos meses seguintes. Avaliações por dermatologistas e pelas próprias pacientes (usando a escala POSAS) confirmaram que ambos os lados da cicatriz evoluíram de forma semelhante.
Além disso, os efeitos adversos – como vermelhidão, crostas e tempo de recuperação – foram praticamente iguais entre os dois grupos, e nenhum efeito colateral grave foi observado.
O que isso significa na prática clínica?
Apesar de a teoria sugerir que o uso do laser cria microcanais na pele, facilitando a penetração de medicamentos como os corticoides, na prática este estudo mostra que o benefício adicional dessa estratégia ainda é limitado – pelo menos com os parâmetros e substâncias utilizados.
O tratamento com laser fracionado isoladamente já se mostra eficaz e seguro para o tratamento de cicatrizes hipertróficas. Ele atua promovendo remodelação do colágeno e normalização da estrutura da pele, e os resultados tendem a continuar melhorando mesmo após o fim das sessões.
O uso combinado com corticoide tópico pode trazer algum benefício inicial, mas não parece alterar significativamente os desfechos a longo prazo.
Ainda assim, o tema merece novos estudos, considerando outras combinações de fármacos, concentrações, tempos de aplicação e tecnologias complementares – como ultrassom para potencializar a penetração cutânea.
Considerações finais
O laser fracionado permanece como uma excelente opção no arsenal terapêutico contra cicatrizes hipertróficas, principalmente por oferecer melhora estética sem os efeitos colaterais das injeções intralesionais. Embora a aplicação imediata de corticoide tópico após o laser possa parecer promissora, este estudo reforça que sua eficácia adicional é limitada.
Cabe ao dermatologista avaliar caso a caso, considerando o tipo de cicatriz, histórico do paciente e a resposta às sessões iniciais, para personalizar o tratamento. A constante evolução tecnológica e os estudos em andamento devem, no futuro, otimizar ainda mais os resultados nesse campo.
Contato:
A Clínica de Pele é especializada em tratamentos dermatológicos no Rio de Janeiro há mais de 60 anos, desde 1969. O Dr. Szerman possui mais de 20 anos de experiência e dá aulas para outros médicos.



